Nova ‘gripe suína’? Estudos apontam possível infecção humana e acendem alerta

 

Embora não haja confirmação de transmissão ampla entre pessoas, levantamentos anteriores identificaram anticorpos contra influenza D em trabalhadores rurais e profissionais que atuam com suínos e bovinos

Uma variante de gripe identificada principalmente em animais voltou ao centro das atenções de pesquisadores após indícios de que possa infectar humanos. Conhecida como influenza D, a cepa circula sobretudo entre suínos e bovinos e, segundo estudos recentes, pode ter potencial para adaptação à transmissão entre pessoas.

escoberta em 2011, a influenza D já foi detectada em diferentes espécies, incluindo cervos e outros mamíferos. Até recentemente, o vírus era considerado restrito ao ambiente animal. No entanto, pesquisas conduzidas por cientistas da The Ohio State University sugerem que ele consegue se replicar de forma eficiente em tecidos respiratórios humanos em laboratório.

Resultados laboratoriais

Os testes analisaram culturas de células das vias aéreas humanas obtidas a partir de tecidos de doadores. Em todos os modelos avaliados, o vírus apresentou alta capacidade de replicação. Os pesquisadores afirmam que a influenza D demonstrou habilidade para escapar parcialmente das defesas imunológicas inatas.

O estudo foi divulgado no servidor científico bioRxiv e ainda não passou por revisão por pares. Segundo os autores, os achados indicam que mudanças evolutivas relativamente pequenas poderiam, em tese, facilitar a transmissão sustentada entre humanos.

Evidências de exposição

Embora não haja confirmação de transmissão ampla entre pessoas, levantamentos anteriores identificaram anticorpos contra influenza D em trabalhadores rurais e profissionais que atuam com suínos e bovinos. Pesquisas realizadas nos estados do Colorado e da Flórida apontaram alta taxa de exposição prévia em determinados grupos ocupacionais.

Vestígios genéticos do vírus também já foram encontrados em amostras ambientais coletadas em locais públicos, como aeroportos e unidades de saúde, o que reforça a necessidade de vigilância.

Em bovinos, a infecção está associada a sintomas respiratórios, como febre, tosse e secreção nasal, segundo o Beef Cattle Research Council.

Potencial risco à saúde pública

Em análise publicada na revista Emerging Infectious Diseases, vinculada aos Centers for Disease Control and Prevention, pesquisadores destacaram que o conhecimento sobre a epidemiologia e as manifestações clínicas da influenza D em humanos ainda é limitado.

Especialistas alertam que, caso o vírus adquira capacidade de transmissão eficiente entre pessoas, poderá representar risco de surtos. No entanto, até o momento, não há evidência de disseminação sustentada na população geral.

Autoridades sanitárias reforçam que o monitoramento contínuo e a ampliação de estudos são fundamentais para avaliar o real potencial da influenza D e prevenir possíveis impactos à saúde pública.


Fonte: Luiz Bacci

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